Santa Mãe Sri Sarada Devi - parte 19

20.09.23 04:27 AM By Curitiba Centro Ramakrishna Vedanta

Santa Mãe e Nikunja Devi

Compilador: Swami Prajnatmananda

Publicado em 22/09/2023  -  23:00

Este artigo é a transcrição de uma palestra ministrada pelo Swami Prajnatmananda.

Depois que Sri Ramakrishna faleceu, seus discípulos monásticos praticaram austeridades e viajaram por toda a Índia. Eles não tinham meios para sustentar a Santa Mãe Sri Sarada Devi. Naquela época, alguns devotos íntimos de Sri Ramakrishna mantinham a Santa Mãe e o mosteiro de Baranagore. Mahendra Nath Gupta, com seu pseudônimo 'M', foi um deles. Ele comprou para a Santa Mãe, em Jayrambati, um campo para plantar arroz, com mais de um acre. Ele também forneceu 1.000 rúpias para construir uma nova casa para ela em Jayrambati e cavar um poço nas proximidades. Além disso, enviava mensalmente 10 rúpias à Santa Mãe, sem falta. M e sua esposa acompanharam a Santa Mãe quando ela foi em peregrinação a Puri em 1904 e a Varanasi em 1912. Sri Ramakrishna gostava muito do M e sua família; assim também tinha sido com a Santa Mãe. Ela elogiou o serviço amoroso e a devoção constante de M. A Santa Mãe disse à esposa de M, Nikunja Devi: “Eu sei que o Mestre Mahashay (M) tem muitas qualidades nobres”. Em outra ocasião, ela disse: “A maneira como o Mestre Mahashay (M) anda me lembra o Mestre, que andava da mesma maneira”. Quando M leu o Evangelho para a Santa Mãe, ela comentou: “Parece que o próprio Mestre está dizendo essas palavras”. Durante o Sri Kali Puja em 1904, a Santa Mãe estava hospedada em uma casa alugada em Calcutá. M a havia informado que iria visitá-la naquele dia. Estava ficando tarde da noite. Quando alguém disse que talvez M não viesse, a Santa Mãe respondeu: “Por acaso Ele é um homem comum e não confiável ? Ele tem profunda paixão pela verdade. Você vai ver, ele definitivamente virá.” M chegou logo depois. Em outra ocasião, a Santa Mãe disse a Nikunja Devi: “O amor e a devoção do Mestre Mahashay são fenomenais. Sua carta me obrigou a vir de Kamarpukur para Calcutá. Ele é um devoto raro. Ele é dotado de conhecimento e devoção. Sua mente é pura e o sangue, ossos e carne de seu corpo são puros”. Certa vez a Santa Mãe estava hospedada na casa Udbodhan em Calcutá. Um devoto a encontrou e se curvou. Ela disse para aquele devoto: “Mestre Mahashay está lá embaixo. Por favor, vá e se curve a ele. Saiba com certeza, ele é uma grande alma.” Este incidente mostra a grandeza de M. Em outra ocasião, a Santa Mãe comentou sobre M: “Por acaso Ele é um homem comum ? Ele registrou muitos dos ensinamentos do Mestre. Existe algum outro avatara (encarnação de Deus) cujas imagens e conversas tenham sido escritas ou registradas com tantos detalhes ? É como se o Mestre estivesse falando no livro de M.”

 

Nikunja Devi era uma companheira íntima da Santa Mãe. Assim, em muitas ocasiões, a Mãe compartilhou com ela incidentes de sua vida com o Mestre. Nikunja Devi relatou essas histórias a M que as registrou em seu diário. Algumas delas são mencionados abaixo:

 

Nikunja: “Mãe, na vida familiar só há sofrimento e não há paz. Quando venho até a senhora, sinto um pouco de paz em meu coração árido. Minha alma se acalma quando me dirijo à senhora como 'Mãe'.” Santa Mãe: “Minha filha, você viu o Mestre, então não tem com o que se preocupar. Ele gostava muito de você. Ele me disse: ‘A mulher de M é simples e de coração aberto. Ela me olha com admiração.” Deixe-me dizer-lhe, filha – felicidade e miséria, bem e mal – ambas existem neste mundo. Eles vêm com o passar do tempo e as pessoas colhem os resultados de seu karma (ações boas ou más). Deve-se fortalecer a mente e mantê-la em Deus. Não é bom sempre insistir em 'sofrimento, sofrimento'.”

 

Nikunja: “Mãe, quando falo com a senhora, me sinto forte e minha mente fica em paz. É por isso que quando me sinto inquieta, aspiro a vir até a senhora”. Santa Mãe: “Um dia não havia sal durante o almoço, então eu disse: 'Não há sal.' Ele (que é Sri Ramakrishna) me contestou dizendo: 'O que é isso? Nunca diga palavras negativas. Tente coletar tudo o que for necessário.' “Ele me ensinou como fazer o trabalho doméstico, como me comportar com as pessoas e como saber que Deus é seu e a única realidade. Quando minha mãe visitou Kamarpukur, o Mestre a tratou com amor e carinho, e lhe pediu: 'Por favor, faça alguns picles para nós.' Quando eu morava no Nahabat (em Dakshineshwar), certa vez passei o dia inteiro fazendo uma linda guirlanda. Eu pedi que ele colocasse a guirlanda. Ele colocou a guirlanda no pescoço e cantou uma música: ‘Resta alguma coisa para minha decoração ? Coloquei o colar de joias universal.” Um dia ele disse a Golap-ma sobre mim: “Que poder de tolerância ela tem! Eu a saúdo”. Ele não se importava em ver mulheres vestindo um tecido sem borda. Ele comentou: “É um vestido que uma ogra usaria.” Durante sua sadhana (práticas espirituais), ele viu Sita com pulseiras de diamante no Panchavati (jardim). Observando o padrão da pulseira, ele mandou fazer um conjunto semelhante de pulseiras para mim. No entanto, ele não podia tocar em dinheiro...

 

M relatou incidentes sobre a Santa Mãe aos devotos. Essas histórias foram registradas por Swami Nityatmananda e são extraídas aqui:

 

Quando o Mestre faleceu, a Santa Mãe disse: “Seu corpo grosseiro se foi, mas seu corpo espiritual existe eternamente”.

 

Certa vez, Hriday provocou a Santa Mãe, dizendo: “Tia, se você chamar o tio (que é Sri Ramakrishna) de ‘pai’, eu lhe darei cinco medidas de sandesh (doces)”. A Santa Mãe respondeu: “Você não precisa me dar sandesh. Eu lhe digo por mim mesma que ele (que é Sri Ramakrishna) é meu pai, mãe, guru, amigo e marido – ele é tudo para mim.” Ela encontrou o Mestre em todo tipo de relacionamento. Que fé ela tinha ! Sri Ramakrishna estava alheio ao dia e à noite e até mesmo sobre o fato de ele usar as roupas (como ele costumava estar absorto em Deus). Mas ele se preocupava com a Santa Mãe. Ele deu o exemplo, para que outros o seguissem. Um dia a Santa Mãe estava meditando e alguém a chamou em voz alta. Sua meditação foi rompida e ela gritou. Quando Sri Ramakrishna ouviu isso, ele correu para o Nahabat e gradualmente a Santa Mãe se acalmou. O Mestre disse aos outros: “Durante a meditação, não se deve chamar nem fazer barulho perto da pessoa que medita”. Certa vez, a Santa Mãe disse a uma devota: “Vi muitas pessoas santas, mas nenhuma pode ser comparada ao Mestre”. A devota respondeu: “O que você está dizendo, Mãe ? Outros homens santos vêm para ser libertados e o Mestre veio para libertar os outros”. A Santa Mãe disse com um sorriso: “Você está certa”.  O Mestre disse: “Tanto as boas quanto as más qualidades existem nos seres humanos; somente Deus – o avatara (uma encarnação de Deus) – está livre de manchas”. A Santa Mãe disse: “Mesmo na lua existe uma mancha, mas não há mancha na lua de Ramakrishna”. Às vezes nós (que é M e sua esposa) enviamos comida e outras coisas para a Santa Mãe, que estava hospedada em Udbodhan, através de nossa empregada doméstica. Ela daria o prasad especial do Mestre para aquela empregada com muito cuidado. Ela não discriminava em relação aos diferentes tipos de pessoas. Todos eram iguais para ela. Uma vez foi proposto que uma vaca fosse trazida de Belur Math para Udbodhan para que a Santa Mãe pudesse ter leite fresco. Mas ela imediatamente protestou: “Não, não. Essas vacas pastam livremente na atmosfera sagrada do complexo do mosteiro, onde podem ver o Ganges. Aqui a vaca seria amarrada com uma corda e mantida dentro de casa ! Eu não posso aguentar isso. Eu não posso beber esse leite.” Certa vez, a Santa Mãe iniciou um jovem no Brahmacharya, a vida celibatária. Ela disse: “Meu filho, agora você poderá dormir feliz”. Ah, como a Santa Mãe atava os devotos com seu amor e carinho ! Certa vez, em Jayrambati, cinco devotos do sexo masculino foram receber iniciação da Santa Mãe. Quando a Santa Mãe entrou no santuário, ela encontrou quatro homens e perguntou sobre a outra pessoa. Eles responderam: “Ele pertence à comunidade dos lavadores; ele está lá fora." Ela correu para aquele devoto e o levou até o santuário. Ele estava relutante em entrar, mas a Santa Mãe o levou para dentro e o iniciou junto com os outros.

 

A Santa Mãe disse:

1. “A devoção daqueles que não têm desejos é incondicional. Eles são Ishwarakotis (almas semelhantes a Deus).”

2. “Aqueles que tem dinheiro, fazem caridade; e aqueles que não têm nada, repetem o mantra.” Caridade significa adorar e servir aos outros como Deus, com o dinheiro. Caso contrário, gaste seu tempo repetindo o mantra.

3. “A graça está fluindo ao redor, mas a natureza humana não muda.” Isso significa que as pessoas estão ouvindo as palavras de Deus, mas nada está acontecendo. Por quê ? Porque maya está puxando essas pessoas de volta.

4. Alguém perguntou à Santa Mãe: “O que acontece se uma pessoa morre depois de perder a consciência externa ?”. A Santa Mãe respondeu: “Não há nada de errado em perder a consciência ao morrer. É suficiente que a pessoa se lembre de Deus pouco antes de ficar inconsciente. Isso traz bons resultados”.

 

Deve-se servir aos outros quando se visita um Ashrama. Os monges estão ocupados cuidando dos devotos, enquanto os devotos estão praticando japa e meditação – isso não está certo. Certa vez, várias devotas visitaram a Santa Mãe em Jayrambati. Elas estavam meditando com os olhos fechados enquanto a Santa Mãe estava limpando o chão sujo. Uma devota (esposa de M.) levantou-se de sua meditação e foi ajudar a Santa Mãe. A Santa Mãe disse: “Os outros estão meditando, então por que você veio ?”. A mulher respondeu: “Vergonha ! Eu não ligo para esse tipo de meditação. Você está esfregando o chão e eu vou fechar os olhos e meditar ? Eu não posso fazer isso.” Aquela devota entendeu a coisa certa a fazer. Alguns devotos afortunados viram a Santa Mãe em samadhi. Seu corpo permaneceu imóvel e seus olhos não piscaram. Ah, que cena rara !

 

Certa vez, a Santa Mãe disse a um monge: “Durante seus últimos momentos, o Mestre virá e te levará com ele. Você pertence a ele, então você irá para ele. Mas se você quer paz mesmo enquanto vive, pratique austeridades e medite nele. A graça surge em quem pratica austeridades. A graça do Mestre não está sujeita a nenhuma condição.”

 

Aqui estão alguns dos provérbios da Santa Mãe registrados por M:

1. Aos que se refugiaram no Mestre, ele aparecerá na hora da morte.

2. A miséria é inevitável para um ser encarnado; mesmo o criador não tem poder para evitar isso. Se você quer paz, pratique disciplinas espirituais.

3. Não há certeza sobre quando a morte virá, então é melhor visitar logo os lugares sagrados sem discriminar entre tempos auspiciosos ou desfavoráveis.

4. Alguém perguntou: “Por que meu carma (o efeito de boas ou más ações) não termina ?” A Mãe respondeu: “Há muito fio no carretel de uma pipa; o carretel estará vazio quando toda a corda tiver sido solta.”

5. O Mestre nunca me causou dor, nem por um dia. O Mestre prometeu: “Juro que aqueles que pensam em mim alcançarão minha riqueza espiritual, assim como os filhos herdam a riqueza de seus pais”. Ele disse isso com tanta ênfase, mas as pessoas ainda não acreditam nisso.

 

A Santa Mãe tinha tanto amor pelos devotos ! Certa vez, quando um devoto estava deixando Jayrambati após receber iniciação, ela saiu de seu quarto para se despedir dele, com lágrimas nos olhos. Ela ficou olhando aquele devoto se afastar, até onde podia vê-lo. Embora o conhecesse há apenas alguns dias, seu amor superava até mesmo o de uma mãe biológica.

 

Estes dois aspectos aprendemos com a vida da Santa Mãe:

(1) Pureza de pensamento, palavra e ação (Brahmacharya) e absorção em Deus;

(2) Autocontrole e serviço. Ela não conhecia nada além de Deus. Vendo Deus em cada ser, ela O serviu dia e noite. Todos os seus ensinamentos são mantras, palavras sagradas. Muitas mulheres altamente educadas, incluindo Nivedita, sentaram-se a seus pés com as mãos postas. As ideias e a educação modernas estavam subordinadas à sua personalidade imponente. 


Um dia estávamos no mosteiro de Baranagore conversando sobre a Santa Mãe, que estava em Vrindavan na época. Swami Vivekananda relatou este incidente: Um dia, na quinta de Cossipure, os devotos mencionaram ao Mestre o afeto da Santa Mãe por eles. Ela estava lá para servir ao Mestre. Os devotos disseram: “Nunca vimos um coração tão nobre”. Perguntei a Swamiji: “O que o Mestre disse sobre isso ?” Swamiji respondeu: “O Mestre riu e então comentou: ‘Ela é minha Shakti. É por isso que ela é nobre.” Isso significa que eles eram como o Deus Supremo, Shiva e sua consorte divina, Parvati. Shiva representa Brahman, a consciência pura e Parvati seu Poder.

 

As pessoas afluíam a M e ele lhes falava apenas sobre Deus. Ele conhecia apenas Sri Ramakrishna e nada mais. O que quer que saísse de seus lábios era sobre ele. M era o diretor de uma escola e tinha muito contato com os alunos. Muitos discípulos de Sri Ramakrishna eram alunos de sua escola. Por esta razão, os devotos o provocavam com o título de ‘professor sequestrador’. Às vezes, M acordava à noite e, pegando seu saco de dormir, saía de casa para dormir entre os sem-teto. Quando perguntado por que, ele explicou, “a ideia de lar e família se apega a uma pessoa e não sai facilmente.” Ele levava uma vida simples e sem ostentação. Ele disse a um devoto: “Sempre encontramos o Mestre absorto em estados espirituais. Às vezes, ele estava em samadhi. Às vezes ele cantava e dançava. Outras vezes, conversava com a Mãe Divina. Tivemos a sorte de ver um homem que realmente falou com a Divina Mãe. Cristo disse a seus discípulos: 'Falo de coisas que vi com meus próprios olhos; e ainda assim vocês não acreditam em mim.” É preciso ter fé nas palavras de um homem de realização. Aqui está um trecho de uma conversa entre Miss Josephine MacLeod e M:

 

MacLeod: “Qual foi sua experiência com Sri Ramakrishna ?”

M: Um dia Sri Ramakrishna me disse: “Cristo, Chaitanyadeva e eu somos uma e a mesma entidade”.

MacLeod: "Como ele falou pra você ?"

M: Ele nos disse: “A Mãe do Universo fala pelos meus lábios”. Ele falou por inspiração. Em várias ocasiões ele disse: “Sou um homem analfabeto, mas a Mãe empurra para mim montes de conhecimento por trás”.

 

Certa vez um devoto disse a M: ‘Você é muito afortunado. Você ouviu Sri Ramakrishna. Você até o tocou e o serviu'.  M respondeu: “Não pense assim. O Mestre disse que toda a sua riqueza e poder irão para seus filhos. O discernimento (entre o certo e o errado), a renúncia, o conhecimento, a devoção e o amor, são sua riqueza. Essas boas qualidades chegarão à alma que pensa nele.” M deixou seu corpo em plena consciência (1932) com esta oração: "Mãe - Guru Deva - toma-me em seus braços". Era como se M tivesse nascido para escrever e ensinar ‘O Evangelho de Sri Ramakrishna’. No início do Evangelho, o seguinte verso do livro mitológico Srimad Bhagavata 10:31:9) é citado:

tava kathāmritam tapta jivanam

kavibhirīditam kalmashāpaham|

shravana-mangalam shrimadātatam

bhuvi grinanti ta bhūridā janāh||

“Ó Deus, o néctar de suas palavras aliviam a miséria ardente das almas aflitas. Suas palavras, que os poetas cantaram em versos, destroem os pecados das pessoas mundanas para sempre. Bem-aventurados aqueles que ouvem de sua vasta glória. Bem-aventurados são os que falam de ti. Quão incomparável é a recompensa deles !”.

 

Pouco antes de o Mestre falecer, a Santa Mãe sentiu-se impotente e desatou a chorar. O Mestre a consolou, dizendo: “Por que você deveria se sentir perturbada ? Você viverá como está vivendo agora. Eles (os discípulos) farão por você o que estão fazendo por mim”. Na realidade, todos os discípulos monásticos do Mestre amavam e respeitavam a Santa Mãe e lhe ofereciam seus serviços, sempre que necessário. Swami Brahmananda tinha uma profunda reverência pela Santa Mãe. Ele realmente adorava a Santa Mãe como uma deusa. Certa vez ele comentou: “É muito difícil entender a Mãe. Ela se move, cobrindo o rosto como uma mulher comum, mas, na realidade, ela é a Mãe do Universo. Poderíamos tê-la reconhecido se o próprio Mestre não nos tivesse revelado quem ela era?” No início, o terreno de Belur Math era irregular. Certa vez, a Santa Mãe chegou a Belur Math em um palanquim. Os devotos tiveram a sorte de ver os quatro discípulos de Sri Ramakrishna, Swami Brahmananda, Swami Saradananda, Swami Premananda e Swami Shivananda, carregando a Santa Mãe naquele palanquim em seus ombros. Certa vez, no aniversário de nascimento de Sri Ramakrishna, a Santa Mãe veio a Belur Math para participar da celebração. Quando ela chegou, apenas por ver a Santa Mãe, Swami Brahmananda entrou em profundo Samadhi, êxtase espiritual. Todos os outros discípulos irmãos estavam um pouco preocupados com ele. Porque ele continuou nesse estado por muito tempo. E ninguém poderia tirá-lo daquela profunda contemplação. A Santa Mãe ouviu sobre sua condição e disse: “Não se preocupem com ele, ele vai sair bem”. Depois de um tempo, ela mesma veio até Swami Brahmananda e tocou sua mão e disse: “Meu filho, eu trouxe um pouco de comida sacramental, prasad, para você, desperte e coma”. E imediatamente Maharaj voltou à consciência normal e se prostrou aos pés dela.

 

Em outra ocasião, Swami Brahmananda disse: “É possível para um ser comum aceitar a adoração de uma Encarnação como Sri Ramakrishna ? (Ele estava se referindo à adoração de Sri Ramakrishna a Sri Sarada Devi como a Mãe Divina, Shodashi) A partir disso, pode-se entender que grande fonte de poder é a Santa Mãe. Vimos com nossos próprios olhos que a Mãe toma sobre si os pecados e as aflições de muitas pessoas e as liberta. Pode alguém além da Divina Mãe ter esse poder ? Dentro, o grande oceano da realização; por fora, calma absoluta. Como ela parece comum e simples ! Mesmo as Encarnações não podem manter os estados divinos sob controle. Sri Ramakrishna os manifestou externamente. Mas é extremamente difícil entender a Mãe. Ela nos manteve todos iludidos sobre sua natureza divina com seu amor maternal !”.


(Continuaremos a narração da vida da Santa Mãe Sri Sarada Devi no próximo post)

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