Glossário

A-E F-J K-O P-T U-Z

 

Uma — Ver Parvati.

Upadhi — Termo da filosofia Vedanta que denota as limitações superpostas ao Ser por causa da ignorância que mantém a alma presa ao mundo.

Upanishad — Escritura Sagrada que constitui a parte filosófica dos Vedas. Os Upanishads ensinam o conhecimento de Deus e relatam as experiências espirituais dos sábios da Índia antiga. Dos 108 Upanishads preservados, os dez principais são: Isha, Kena, Katha, Prasna, Mundaka, Mandukya, Chandogya, Brihadaranyaka, Aitareya e Taittiriya. Como encerram cada um dos quatro Vedas, tornaram-se conhecidos como Vedanta, ou seja, o final (anta) dos Vedas.

Vaidhibhakti — Preparatório da devoção a Deus, caracterizado pela observância de normas e rituais; preliminar ao amor divino espontâneo.
Vaishnava — Ver vishnuísta.
Varuna — Um deus védico; a divindade que preside as águas.
Vasishtha — Nome de um sábio mencionado nos Puranas. Guru de Rama.
Veda — A Escritura Sagrada mais antiga e mais importante dos hindus, considerada pelos ortodoxos como revelação direta e autoridade suprema em todas as questões religiosas. Há quatro Vedas: Rig, Yajur, Sama e Atharva, cada qual consistindo de uma parte dedicada aos rituais, ou “trabalho”, e outra dedicada ao “conhecimento”. Cada parte ritual consiste de: 1. Samhitas (uma coleção de mantras ou hinos, muitos dos quais dirigidos a deidades como Indra ou Varuna); 2. Brahmanas (relacionados a detalhes de ritos sacrificiais, deveres e regras de conduta específicos); 3. Aranyakas (ou tratados da floresta, os quais destacam a interpretação espiritual de ritos e cerimônias religiosos). Cada parte relativa ao conhecimento compreende Upanishads. A parte ritual é conhecida como karma kanda, e a filosófica como gñana kanda.
Vedanta — Literalmente, “final do Veda”. Sistema religioso e filosófico desenvolvido a partir dos Upanishads, os ensinamentos finais dos Vedas. Nesse sentido, trata-se da base comum de todas as seitas religiosas da Índia. Do ponto de vista estritamente filosófico, a Vedanta é um dos seis darshanas (sistemas do pensamento hindu ortodoxo) e baseia-se nos Vedanta Sutras. Com suas várias interpretações (dualista, monista qualificada, pluralista, realista e monista), a Vedanta ensina que o objetivo da vida humana é realizar a Realidade Última, ou o Supremo, aqui e agora, por meio da prática espiritual. A palavra Vedanta pode referir-se exclusivamente ao aspecto não-dualista da filosofia, a Vedanta Advaita, que afirma que o universo multifacetado de nome e forma é uma interpretação errônea da Realidade Única, a qual é chamada Brahman quando vista como transcendente e Atman quando considerada imanente. Uma vez que é onipresente, essa Realidade deve estar dentro de cada criatura ou objeto; portanto, o homem é essencialmente divino. A experiência supraconsciente direta de sua identificação com Atman-Brahman liberta o homem de todos os laços mundanos que ele superpôs à sua verdadeira natureza, e concede-lhe a perfeição espiritual e a paz eterna. A Vedanta aceita todos os grandes mestres espirituais e os aspectos pessoais ou impessoais de Supremo venerados pelas diferentes religiões, considerando-os como manifestações da Realidade Única. Por demonstrar a unidade essencial na origem de todas as religiões, a Vedanta serve como arcabouço filosófico dentro do qual toda verdade espiritual pode ser expressa. As três principais escolas de pensamento da Vedanta (algumas das quais também se encontram em outras religiões) são: 1. Dvaita (dualista, voltada para a adoração de Deus Pessoal ou adoração a qualquer Ideal Divino); 2. Vishishtadvaita (monismo qualificado, ou atenuado, ensina a imanência e transcendência de Deus: “Vivemos, movemo-nos e temos nossa existência em Deus”); 3. Advaita (literalmente: não-dual, ou seja, monista; ensina a unidade espiritual; “Eu e Tu somos um”). Essas três concepções, que não são contraditórias entre si, constituem etapas sucessivas na realização espiritual, como Sri Ramakrishna destacou, sendo a terceira e última alcançada quando o aspirante perde toda consciência de si na união com o Supremo. Para ilustrar as três atitudes, Sri Ramakrishna citava as palavras dirigidas a Sri Rama por Hanuman: “Quando me considero como um ser físico, Tu és o Senhor e eu o servo. Quando me considero como um ser individual, Tu és o todo e eu uma das partes. E quando me realizo como o Atman, sou um contigo”.
Vedantista — Um seguidor da filosofia Vedanta.
Vibhishana — Personagem do épico Ramayana, irmão mais novo do demônio Ravana, rei de Lanka, raptor de Sita. Por sua natureza sáttvica, Vibhishana voltou-se contra Ravana e aliou-se a Rama, de quem se tornou um grande devoto.
Vidyamaya — A “maya do conhecimento”. (Ver Avidyamaya).
Vidyasagar — Ishvar Chandra Bandopadhyay (1820-1891), conhecido como Vidyasagar (em bengali, Biddashagor), que significa “Oceano de Sabedoria”.
Vidyashakti — Poder espiritual.
Vigñana — Um alto estado de realização espiritual, ou íntimo conhecimento de Deus, como um resultado do que o universo e todos os seres são vistos como manifestações de Deus.
Vigñani — Aquele que alcançou o estado de realização espiritual chamado vigñana.
Vishishtadvaita — Monismo qualificado; uma escola da filosofia hindu, fundada por Ramanuja, que ensina que todos os seres animados e inanimados são partes de Brahman, que é sua alma e seu poder controlador. 
Nesta forma de monismo, mantém-se a realidade do Deus Pessoal ao lado do Deus Impessoal.
Vishnu — Literalmente, “o todo-penetrante”. Divindade que forma a Trilogia hindu com Brahma e Shiva; Deus considerado sob seu aspecto protetor e conservador da criação. Como Ideal Escolhido dos vaishnavas, Vishnu representa não só o aspecto conservador de Ishvara, mas o próprio Ishvara (Brahman unido a Maya, seu poder; Deus com atributos; Deus Pessoal). Entre as muitas formas de Vishnu, é familiar a de quatro braços, segurando o disco, a clava, a concha e o lótus. Outra forma é o shalagrama (pedra oval com certas marcas, de formação natural, encontrada no leito de certos rios da Índia, sobretudo no Gandaki). Segundo a doutrina do avatar (encarnação divina), Vishnu aparece na terra quando necessário para o bem do mundo.
Vishnuísta ou Vaishnava — Seguidor do vaishnavismo: seita religiosa do hinduísmo, cujos membros seguem o caminho da devoção a Deus como Vishnu ou um dos avatares de Vishnu — especialmente Sri Rama, Sri Krishna e, em Bengala, Sri Chaitanya.
Vishvanath — Shiva como o Senhor do Universo; uma das duas deidades que presidem a cidade sagrada de Varanasi (Benares).
Vrindavan — Cidade às margens do rio Jamuna associada à infância de Sri Krishna. Ver Brindavan.
Vyasa — Literalmente, “aquele que expõe”. O compilador dos Vedas e dos Vedanta Sutras, que reputadamente escreveu o Mahabharata e o Bhagavatam. Vyasa foi o pai de Shukadeva.

 

Yama — O Deus da Morte.
Yashoda — A mãe adotiva de Sri Krishna.
Yoga — Ato de ligar. 1. União da alma individual com o Supremo. 2. O método pelo qual essa união é realizada (ver bhakti yoga, gñana yoga, karma yoga, raja yoga). 3. Um dos seis darshanas (sistemas de filosofia ortodoxa hindu), compilado por Patânjali como Yoga Sutras. A yoga proporciona meios para se atingir a mais alta consciência e a libertação final dos laços do mundo por meio do controle das ondas de pensamento da mente.
Yogui — Aquele que pratica yoga. Feminino: yoguini.
Yudishthira — O mais velho dos cinco irmãos Pandavas e um dos principais heróis do Mahabharata, conhecido por sua veracidade, retidão e religiosidade.
Yuga — Um ciclo ou período do mundo. De acordo com a mitologia hindu, a duração do mundo é dividida em quatro yugas: Satya ou Krita (Idade de Ouro), Treta, Dwapara e Kali (Idade de Ferro). Na primeira, há uma grande preponderância da virtude entre os homens, mas a cada yuga subseqüente a virtude diminui e o vício aumenta. Na Kaliyuga há um mínimo de virtude e um excesso de vício. Acredita-se que o mundo esteja agora passando pela Kaliyuga. Ao final desta era, todo o ciclo recomeçará novamente com a Satya Yuga (Satya: verdade).

 


 

A-E F-J K-O P-T U-Z