Glossário

A-E F-J K-O P-T U-Z

 

Pan — Castanha e folhas de bétel que junto com outros elementos, como lima, são mascadas como estimulante e digestivo.
Panchavati — Pequeno bosque onde se praticam disciplinas espirituais; compõe-se de cinco árvores sagradas — uma ashvattha (ou pipal), um baniano, um bel (ou bilva), uma amalaki e uma ashoka — plantadas em círculo, de acordo com as indicações das Escrituras, tendo ao centro um altar. O panchavati do jardim de Dakshineswar foi plantado por Sri Ramakrishna e Hriday.
Pandavas — Filhos do rei Pandu: Yudhishtira, Bhima, Arjuna, Nakula e Sahadeva. Suas vidas são descritas no Mahabharata.
Pandit — Erudito. Alguém versado nas Escrituras.
Paramahamsa — “Grande cisne” (diz-se que o cisne é capaz de beber apenas o leite numa mistura de leite com água). Denominação respeitosa dada a um “liberto em vida”; dizia-se “o Paramahamsa” ou “o Paramahamsa de Dakshineswar” para designar Sri Ramakrishna.
Paramatman — A Alma Suprema.
Parikshit — Rei da raça lunar e neto de Arjuna, mencionado no Mahabharata.
Parvati ou Uma — Filha do rei Himalaya e consorte de Shiva; ela é uma encarnação da Mãe Divina.
Pawhari Baba — Santo hindu do século 19, contemporâneo de Sri Ramakrishna.
Pipal — Figueira sagrada da Índia (ficus religiosa).
Prahlada — Filho de Hiranyakashipu, rei dos asuras (demônios) mencionado no Bhagavatam. Prahlada permaneceu firme em sua devoção a Vishnu, seu Ideal Escolhido, a despeito das repetidas torturas e ameaças contra sua vida, perpetradas por seu maligno pai.
Prakriti — Na filosofia Samkhya, Prakriti é o princípio feminino, a Natureza sempre em atividade, enquanto Purusha é o princípio masculino, que permanece imóvel em contemplação. A estátua de Kali dançando sobre o corpo imóvel de Shiva representa esses dois princípios.
Prarabdha karma — O karma (ação) produzido por um homem é geralmente dividido em três grupos: sanchita, agami e prarabdha. O sanchita karma é o vasto estoque de ações acumuladas do passado, os frutos das quais ainda não foram colhidos. O agami karma é a ação que será feita por um indivíduo no futuro. O prarabdha karma é a ação que já começou a frutificar e cujo fruto já está sendo colhido nesta vida. É uma parte do sanchita karma, considerando que é uma ação produzida no passado. Mas a diferença entre as duas é que, enquanto o sanchita karma ainda não está operativo, o prarabdha karma já começou a operar. De acordo com o hinduísmo, o fruto de todos os karmas deve ser colhido pelo seu fazedor, e o caráter e as circunstâncias da vida de um indivíduo são determinados pelos seus karmas anteriores. O prarabdha karma é o mais efetivo dos karmas, porque suas conseqüências não podem ser evitadas de nenhuma forma. A realização de Deus capacita a pessoa a abster-se das ações futuras (agami karma) e a evitar as conseqüências de todas as ações acumuladas (sanchita karma) que ainda não começaram a operar; mas o prarabdha karma, que já começou a frutificar, deve ser colhido.
Prasad — 1. Comida ou bebida que tenha sido oferecida à Divindade. 2. Abreviação do nome Ramprasad, poeta místico bengali.
Prema — Amor extático, o mais intenso amor divino.
Prema bhakti — Amor extático por Deus.
Princípios cósmicos — De acordo com a filosofia Samkhya, os vinte e quatro tattvas, ou princípios cósmicos, são: os cinco grandes elementos em suas formas sutis (éter, ar, fogo, água, terra); o ego, ou “consciência do eu”; buddhi, ou inteligência; Avyakta, ou o Não-Manifestado (no qual sattva, rajas e tamas permanecem em estado indiferenciado); os cinco órgãos da ação (mãos, pés, aparelho fonador, aparelho reprodutor, aparelho excretor); os cinco órgãos do conhecimento (olhos, ouvidos, nariz, língua, pele); manas, ou mente; e os cinco objetos dos sentidos (som, toque, forma, sabor e cheiro). Todos eles pertencem à Prakriti (Natureza) e são distintos de Purusha (Consciência).
Puja — Adoração ritualística hindu.
Puli — Um tipo de bolo.
Purana(s) — Literalmente, “antigo(s)”. Qualquer dos dezoito livros sagrados do hinduísmo, atribuídos a Vyasa, que elabora e divulga as verdades espirituais dos Vedas por meio do relato das vidas das encarnações divinas, santos, reis e devotos, sejam eles históricos ou mitológicos.
Puri — 1. Cidade situada no estado de Orissa, Índia. É um dos principais lugares sagrados da Índia, os outros três sendo Dwaraka, Kedarnath e Rameshwar; 2. uma das dez denominações de monges pertencentes à escola de Shankara.
Purusha — Uma das duas realidades últimas.
Purushottama — A melhor das pessoas; a Pessoa Suprema.

 

Radha ou Radhika — A principal gopi (pastora) de Vrindavan.
Raga — Composição melódica; base da composição musical indiana.
Raga bhakti — Supremo amor, que torna o devoto ligado somente a Deus.
Raja Yoga — Literalmente, “yoga real”; uma das quatro principais yogas ou caminhos para a união com Deus, sistematizada nos Yoga Sutras de Patânjali. A raja yoga é o caminho da meditação formal, um método de concentração da mente direcionada unicamente para a Realidade Última, até que a absorção completa seja alcançada.
Rajarshi — Um rei que levava uma vida santa; epíteto de Janaka.
Rajas — Ver gunas.
Rajásico — Relativo a rajas. (Ver gunas).
Raksha Kali — A Salvadora; um dos nomes de Kali.
Rakshasa — Categoria de seres demoníacos (ogros). No épico Ramayana, Rama trava uma guerra contra os rakshasas, cujo rei, Ravana, havia raptado Sita, a esposa de Rama.
Ram Mohan Ray — Fundador do movimento Brahmo Samaj (1828) onde foi posteriormente sucedido por Devendranath Tagore (ver).
Rama ou Ramachandra — Uma das mais populares Encarnações Divinas do hinduísmo, rei de Ayodhya e herói do Ramayana.
Ramanuja — Um famoso santo e filósofo do sudeste da Índia, o fundador da escola do monismo qualificado (vishishtadvaita). Após renunciar ao mundo, Ramanuja foi para Srirangam, onde escreveu um comentário sobre os Vedanta Sutras e também comentários sobre o Bhagavad Gita e alguns tratados filosóficos.
Ramayana — O mais antigo poema épico sânscrito, escrito pelo sábio Valmiki por volta de 500 a.C., contém aproximadamente 50.000 versos. O Ramayana narra a vida de Sri Rama: seu banimento de Ayodhya; a vida na floresta com sua fiel esposa, Sita, e seu irmão Lakshmana; o rapto de Sita por Ravana; a guerra de Rama e seus aliados contra Ravana; a derrota de Ravana e a libertação de Sita; a difamação de Sita pelo povo de Ayodhya e sua expulsão do reino; a reabilitação de Sita e sua subida aos céus, onde Rama a reencontra.
Ramprasad — Místico bengali e compositor de canções sobre a Mãe Divina.
Rani Rasmani — Rica senhora da casta dos sudras, fundadora do complexo de Dakshineswar com seu conjunto de templos. Destes, o mais famoso é o templo de Kali, o Ideal Escolhido de Rani. A vinda de Sri Ramakrishna para Dakshineswar foi devida à contratação de Ramkumar, seu irmão mais velho, como sacerdote do Templo de Kali. Rani aceitou Sri Ramakrishna como seu mestre espiritual.
Ravana — Demônio mitológico, rei do Sri Lanka (antigo Ceilão), personagem do épico Ramayana.
Rishi — 1. Designação genérica para santo ou sábio. 2. Na Índia antiga, qualquer um dos conhecedores da verdade espiritual, aos quais a sabedoria dos Vedas foi revelada.
Rudrakshas — Sementes de uma árvore tropical da Ásia, usadas para fazer rosários.

 

Sadhana — Práticas; disciplinas espirituais; austeridade.
Sadharan Brahmo Samaj — Grupo dissidente do Brahmo Samaj de Keshav Chandra Sen, fundado por Shivanath Shastri e Vijaykrishna Goswami.
Sadhu — Santo; asceta; monge; sannyasin.
Saguna — Literalmente, “com atributos”. “Saguna Brahman” é portanto a designação de Brahman com atributos, isto é, Deus Pessoal.
Samadhi — Estado supraconsciente, no qual o aspirante espiritual realiza sua identidade com a Realidade Última. Conforme Patânjali, oitavo e último estágio da raja yoga, no qual a mente toma a forma do objeto da meditação.
Samkhya — Um dos seis darshanas (sistemas de filosofia hindu), fundado por Kapila. Segundo a Samkhya existem duas realidades últimas: Purusha e Prakriti. Afirmando que a identificação do Purusha com a Prakriti é a causa do sofrimento humano, a Samkhya ensina que a libertação e o verdadeiro conhecimento são atingidos no estado de consciência suprema, quando cessa tal identificação e o Purusha é realizado como existindo independentemente em sua natureza transcendental.
Samsara — O interminável ciclo de nascimento, morte e renascimento, ao qual o indivíduo fica preso enquanto permanece ignorante de sua identidade com Brahman.
Samskara — Uma impressão, tendência ou potencialidade, criada na mente do indivíduo como resultado de uma ação ou pensamento. A soma total dos samskaras de um homem compõe seu caráter. (Ver karma).
Sannyasin ou sannyasi — Monge que pronunciou os votos finais de renúncia segundo os rituais hindus (feminino: sannyasini).
Sarasvati — A Mãe Divina como consorte de Brahma, deusa da sabedoria e patrona das artes e da música.
Sári — A mais importante roupa típica da mulher indiana: longa peça de tecido enrolada em volta do corpo, com uma das pontas formando a saia, e a outra ponta, drapeada, em torno do seio, de um ombro e, por vezes, da cabeça.
Satchidananda ou Sat-chit-ananda — Existência Absoluta (Sat), Consciência Absoluta (Chit) e Bem-Aventurança Absoluta (Ananda). Um dos nomes de Brahman. Forma clássica de designar Deus sem personalizá-Lo.
Sattva — Ver Gunas.
Sáttvico — Relativo a sattva. (Ver gunas).
Shaiva — Ver shivaísta.
Shakta — Adorador de Shakti.
Shakti — Deus como Mãe do Universo; personificação da Energia Primordial, ou poder de Brahman. Ela é o aspecto dinâmico do Supremo, que cria, preserva e dissolve o Universo, em relação ao qual Shiva representa Brahman (o Absoluto transcendente ou o aspecto paterno do Supremo). Há uma crença hindu de que a graça de Shakti (o poder manifestado de Deus) é necessária antes que o aspecto transcendente de Deus seja revelado. (Ver Mãe Divina).
Shanai — Instrumento indiano semelhante ao oboé.
Shankara ou Shankaracharya (788-820 d.C.) — Um dos maiores filósofos da Índia, grande expoente da Vedanta Advaita, nasceu em Malabar, no Sul da Índia. Na idade de oito anos, quando renunciou ao mundo, era perfeitamente versado na literatura védica. Durante seu breve período de vida de 32 anos, organizou um sistema de denominações monásticas que está em voga até os dias de hoje. Sua vasta produção literária inclui comentários sobre os Vedanta Sutras, os principais Upanishads e o Bhagavad Gita; dois trabalhos filosóficos: o Upadeshasahasri e o Vivekachudamani (A Jóia Suprema do Discernimento); e muitos poemas, hinos, orações e trabalhos menores sobre Vedanta.
Shiva — Deus em Seu aspecto de destruidor na Trindade hindu. Quando venerado como Ideal Escolhido (Ishta), Shiva é totalmente Deus, a Suprema Realidade. Em relação ao seu poder, ou seja, o aspecto feminino dinâmico e criador do Supremo (chamado Shakti, Parvati, Kali ou Durga, etc.), Shiva é o Absoluto transcendente, ou o aspecto paterno. Entre seus vários Nomes contam-se: Mahadeva, Rudra, Shambhu, Shankara, Ishana, Vishvanath, Kedarnath. Seu símbolo é o linga (ver). Shiva também é representado como Nataraja (Shiva dançando num círculo de fogo); como Senhor do Universo, cavalgando Nandi, o touro do dharma; como o yogui supremo, sentado absorto em eterna meditação. Shiva é venerado como o Guru de todos os gurus — destruidor da mundanalidade, doador da sabedoria e personificação da renúncia e da compaixão. (Ver Brahma e Vishnu).
Shivaísta ou shaiva — Adorador de Shiva.
Shrishrima — Tratamento dado à Santa Mãe, Sri Sárada Devi; denota extremo respeito.
Shukadeva — O narrador do Bhagavata e filho de Vyasa, considerado como o ideal de monge na Índia.
Shyama Kali — A Azul (a Negra). Um dos nomes de Kali.
Shyampukur — Distrito ao norte de Calcutá para onde, em outubro de 1885, Sri Ramakrishna se mudou e onde permaneceu por dois meses e meio.
Siddha — Uma alma perfeita; um espírito semidivino.
Siddhi — Perfeição espiritual; poder oculto.
Sikh — Literalmente, “discípulo”. Grupo religioso marcial, cuja doutrina foi estabelecida pelo Guru Nanak (1469-1538), que buscou reunir o melhor do hinduísmo e do islamismo. Há cerca de 18 milhões de sikhs na Índia, concentrados sobretudo no Punjab.
Simhavahini — Literalmente “aquela que cavalga um leão”; um dos nomes da Mãe Divina.
Sita — Consorte de Sri Rama e filha do Rei Janaka. Sita é considerada pelos hindus como a personificação da esposa ideal.
Smashana Kali — A Terrível. Um dos nomes de Kali.
Sri Krishna — Ver Krishna.
Sri ou Shri — “Venerado” ou “sagrado”. Termo de tratamento usado antes do nome de uma divindade, pessoa ou livro sagrado.
Sufi — Do árabe, místico. Com a mesma raiz tem-se suf, que significa “lã”. Os primeiros dervixes, por sua extrema pobreza, foram designados também pelo termo “sufi”, associado à vestimenta humilde de lã que usavam. A mesma raiz traz o sentido de pureza, significando a busca da pureza de coração nas comunidades sufis.
Swami — Senhor, mestre, instrutor espiritual. A palavra Swami, título do monge hindu, pode ser usada no lugar do nome ou precedendo o nome.

 

Tabla — O mais popular instrumento de percussão da Índia. É composto de dois pequenos tambores. O da direita chama-se tabla e o da esquerda, chamado baya, funciona como um baixo. Ambos são tocados simultaneamente com as mãos.
Tamala — Também se pronuncia tomal. Uma árvore com folhas azul-escuro, a árvore favorita de Sri Krishna.
Tamas — Ver gunas.
Tamásico — Relativo a tamas. (Ver gunas).
Tampura — Instrumento musical de cordas, similar à vina, mas com uma caixa de ressonância maior, feita de madeira ou cabaça.
Tantra — Filosofia religiosa segundo a qual Shakti é geralmente a principal divindade venerada, e o universo é visto como o jogo divino de Shakti e Shiva. A palavra Tantra também se aplica a qualquer Escritura identificada com a adoração de Shakti. O Tantra lida sobretudo com práticas espirituais e formas rituais de veneração, cujo objetivo é a libertação da ignorância e o renascimento rumo ao conhecimento inequívoco de que a alma individual e o Supremo (Shiva-Shakti) são um. Além dos Shakta Tantra, existem os Tantras budistas e os vaishnavas.
Tattvas — Ver Princípios Cósmicos.
Teosofia — 1. Conjunto de doutrinas religioso-filosóficas que têm por objeto a união do homem com a divindade, mediante a elevação progressiva do espírito até a iluminação. 2. Doutrina espiritualista iniciada por Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), mística russa ligada ao budismo e ao lamaísmo.
Teósofo — Seguidor das doutrinas da teosofia.
Thakur — Literalmente, “mestre, senhor”; nome familiar de Sri Ramakrishna entre os devotos, freqüentemente traduzido como “o Mestre” nos escritos sobre Sri Ramakrishna.
Tomal — Ver tamala.
Tota Puri — Monge da Ordem de Shankara que, em 1864, iniciou Sri Ramakrishna na vida monástica e ensinou-lhe a Vedanta monista.
Tulsi ou Tulasi — Manjericão sagrado usado no culto de Vishnu.
Turiya — Literalmente, “o quarto”. Um nome de Brahman, que transcende e permeia os três estados de vigília, sonhos e sono profundo.

 

A-E F-J K-O P-T U-Z