Glossário

A-E F-J K-O P-T U-Z

 

Kabir — O grande santo meio-hindu meio-muçulmano do século XV.
Kala — Um nome de Shiva. Também significa tempo, morte, negro.
Kali — Também Kalika. Um nome da Mãe Divina. “Kali” significa “a Negra” e sua imagem é negra. Geralmente é representada dançando sobre o corpo inerte de Shiva, seu consorte, o qual simboliza o aspecto transcendente do Espírito, enquanto Ela representa o aspecto dinâmico, a Energia Primordial (Adyashakti). Usando um cinto de mãos decepadas e um colar de caveiras, Kali segura a cabeça ensangüentada de um demônio em sua mão esquerda inferior e uma espada na mão esquerda superior. Com a mão direita superior faz o sinal do destemor e com a direita inferior oferece dádivas, destruindo a ignorância, mantendo a ordem do mundo, abençoando e libertando aqueles que anseiam pela realização do Deus. Kali é a divindade do famoso templo de Dakshineswar, onde foi cultuada por Sri Ramakrishna durante muitos anos. (Ver Shakti e Mãe Divina).
Kali Puja — Culto celebrado para a Mãe Kali.
Kaliya — Nome da serpente venenosa subjugada por Sri Krishna.
Kaliyuga — A quarta era do mundo, pela qual estamos passando atualmente e que consiste de 432.000 anos.
Kama — Literalmente, desejo. Desejo legítimo, cuja satisfação é um dos quatro frutos da vida humana. (Ver dharma).
Kamalakanta — Poeta místico originário de Bengala.
Kamarpukur — Aldeia natal de Sri Ramakrishna no estado de Bengala, a cerca de 140 km a noroeste de Calcutá.
Kamsa — Tio de Sri Krishna, Kamsa era a personificação do mal. No final é morto por Sri Krishna.
Karma — Um ato físico ou mental; a conseqüência de um ato físico ou mental; a soma das conseqüências das ações de um indivíduo nesta vida e em vidas passadas; a cadeia de causa e efeito operando no mundo moral. Cada karma individual é constituído de seus samskaras (ver). Essas potencialidades guiam seus motivos e conduzem, tanto no presente como no futuro, seus pensamentos e suas ações. Assim, cada karma torna-se a semente de um novo karma e seus frutos são colhidos na forma de felicidade ou tristeza, de acordo com a natureza de cada pensamento ou ação. Ainda que cada pessoa imponha sobre si mesma as limitações de seu próprio caráter como determinado por suas ações e pensamentos passados, ao mesmo tempo ela pode escolher seguir a tendência já formada ou lutar contra essa tendência. A área de escolha ou livre arbítrio de cada indivíduo reflete a liberdade do Atman, o Espírito Interior. A devoção a Deus, a capacidade de aprimorar as boas tendências e atenuar as más, faz com que os laços do karma comecem a se soltar. Quando um homem alcança a iluminação, seus atos cessam de produzir karma. Nos Vedas, karma significa também adoração ritualística e atos filantrópicos.
Karma Yoga — Uma das quatro principais yogas, ou caminhos de união com Deus. É o caminho do trabalho desapegado, no qual o aspirante espiritual oferece todas as ações e seus resultados a Deus como um sacramento; o aspirante espiritual pode também praticar a atitude de considerar-se como a testemunha das ações e não como seu agente, identificando-se com o Atman.
Kashipur ou Cossipore — Subúrbio ao norte de Calcutá, onde Sri Ramakrishna viveu de dezembro de 1885 até seu falecimento em agosto de 1886.
Kathamrita — Literalmente, “O Néctar das Palavras”. Sri Sri Ramakrishna Kathamrita é o título da edição bengali do livro escrito por M (Mahendranath Gupta), e conhecido no Ocidente como O Evangelho de Sri Ramakrishna.
Kaustubha — Jóia que Vishnu usa no peito.
Kaviraj — Médico indiano tradicional.
Keshav Chandra Sen (1838-1884) — Amigo e admirador de Sri Ramakrishna; famoso reformador indiano e líder do Brahmo Samaj. Influenciado pelo cristianismo, o qual tentou introduzir em sua organização, Keshav rompeu com Devendranath Tagore em 1868. Acreditava que ele mesmo havia recebido a missão divina de pregar uma interpretação das leis de Deus, a qual ele chamou Navavidhan ou Nova Dispensação. O contato com Sri Ramakrishna, que tinha grande afeição por Keshav, ensinou a este a reverência pela Mãe Divina. Em várias ocasiões Keshav pediu a Sri Ramakrishna para falar em sua congregação. (Ver Brahmo Samaj).
Keshava — Um dos nomes de Sri Krishna.
Kirtan — Música devocional, geralmente acompanhada por dança.
Krishna — Uma das mais veneradas Encarnações Divinas no hinduísmo. Sri Krishna aparece sobretudo no Mahabharata, o poema épico que narra a história dos descendentes do rei Bharata — os Pandavas e Kauravas — para cantar a glória de Deus. Também é o personagem central do Bhagavatam, ou Bhagavata Purana, Escritura devocional que ilustra as verdades religiosas com histórias de santos, sábios e reis da Índia antiga. Entre suas formas mais populares, estão as do Menino Krishna (Gopala), do jovem Krishna tocando sua flauta (o bem-amado amigo dos pastores e pastoras de Vrindavan), e do Divino Mestre no Bhagavad Gita (amigo e condutor do carro de Arjuna), que finalmente se revela como o Ser Universal.
Kubir — Místico e poeta bengali.
Kumbhaka — 1. Retenção da respiração, entre a exalação (rechaka) e a inalação (puraka), ou entre a inalação e a exalação; um processo descrito na raja e na hatha yoga. 2. Suspensão da respiração, que se alcança como resultado seja do pranayama ou de um desenvolvimento espiritual natural. Quando artificialmente induzida pelos exercícios respiratórios, a mente torna-se concentrada pelo efeito da kumbhaka. Quando, por resultado de um desenvolvimento espiritual natural, a mente se eleva e se concentra espontaneamente, também ocorre a kumbhaka. A devoção a Deus é o método mais seguro para atingir o estado de kumbhaka, quando a mente se torna naturalmente absorta no seu objeto de concentração; a respiração, nesse momento, cessa espontaneamente, sem nenhum prejuízo ao corpo ou à mente.
Kumbhakarna — Um rakshasa (demônio) irmão de Ravana, o rei de Lanka mencionado no Ramayana.
Kundalini — É a energia espiritual que permanece adormecida na base da coluna vertebral de todos os seres humanos, enrolada como uma serpente. Quando desperta no aspirante espiritual e passa através dos centros de consciência (chakras) no canal central da espinha (sushumna), essa energia manifesta-se em experiências místicas e vários graus de iluminação. (Ver chakras).
Kurukshetra — O campo de batalha (situado a poucos quilômetros do local em que hoje se encontra a cidade de Nova Délhi) onde foi travada a guerra entre os Pandavas e os Kauravas, e onde, conforme está descrito no Bhagavad Gita, Sri Krishna transmitiu a Arjuna o conhecimento divino. Kurukshetra tem sido simbolicamente interpretado como o campo de batalha da vida, representando o esforço do indivíduo contra sua natureza inferior.

 

Lakshmana — Um irmão de Sri Rama.
Lakshmi — A Mãe Divina como deusa da fortuna e esposa de Vishnu.
Lila — O jogo divino, no qual o mesmo ator — Deus — assume todos os papéis, por assim dizer. Diz-se que o universo inteiro é criado por Ele como por esporte, para Seu prazer. Uma manifestação especial da lila é o avatar. Além disso, lila significa o relativo, o qual consiste de tempo, espaço e causalidade.
Linga ou lingam — Literalmente, “símbolo” ou “sinal”; representação de Shiva. O linga tem o formato de um pilar com o topo arredondado; é circundado em sua base por um recipiente onde se colocam as oferendas. Este é geralmente o emblema usado no culto ritual de Shiva, e representa uma transição da concepção antropomórfica para a concepção abstrata da divindade.
Luchi — Pão indiano fino, feito de farinha e frito na manteiga.

Madhava (1199-1276) — Um expoente da escola dualista da Vedanta e célebre comentador dos Vedanta Sutras, do Bhagavad Gita e dos Upanishads. De acordo com a filosofia de Madhava, a matéria, Deus e as almas humanas são absolutamente diferentes entre si. Deus é aquele que dirige o universo, sendo o universo real e eternamente existente.
Mãe Divina — Durga, Kali (Kalika) ou Shakti. Aspecto dinâmico do Supremo, geralmente representado sob forma feminina. A Mãe aparece com diferentes nomes, como consorte divina de Brahma, Vishnu ou Shiva. De acordo com os vishnuístas (vaishnavas) e shivaístas (shaivas), Ela não é independente do aspecto masculino do Supremo.
Mahabharata — Talvez o maior poema épico da humanidade, consistindo de 110.000 estrofes – incluindo o Bhagavad Gita. Este famoso épico hindu, conhecido como um dos maiores tesouros da cultura da Índia, é dividido em 18 livros chamados parvas. Estima-se que tenha sido composto pelo menos cinco séculos a.C. Ilustrando as verdades contidas nos Vedas, o Mahabharata conta a história dos descendentes do rei Bharata — os Pandavas e os Kauravas, que eram primos. De acordo com Vyasa, o reputado autor do épico, o propósito do Mahabharata é cantar a glória de Deus — a guerra entre os Pandavas e os Kauravas não sendo mais que uma oportunidade para tanto.
Mahabhava — Ver Bhakti Yoga.
Mahadeva — Literalmente, “o Grande Deus”; um dos nomes de Shiva.
Mahapurusha — Alma eternamente livre.
Mahatma — Literalmente, “grande alma”; santo; sábio.
Manas — Componente da mente que recebe as impressões sensoriais do mundo externo e as apresenta ao buddhi. Além disso, manas veicula as ordens da vontade através dos órgãos da ação.
Mantra ou mantram — Prece, versículo sagrado, fórmula mística transmitida de mestre a discípulo e que serve como objeto de meditação. Nome particular de Deus que o discípulo recebe do mestre como seu Ideal Escolhido (Ishta), ao ser iniciado na vida espiritual.
Marata — Pertencente aos maratas, povo do sul da Índia.
Mathur Babu — Mathuranath Bishwas, genro de Rani Rasmani. Profundamente devotado a Sri Ramakrishna, Mathur proveu todas as necessidades materiais do Mestre em Dakshineswar por 14 anos.
Mathura — Cidade no estado de Uttar Pradesh, Índia, provável local de nascimento de Sri Krishna e capital do reino que Ele governou.
Maya — Princípio universal da filosofia Vedanta, que é a base da mente e da matéria. Maya é o poder de Brahman; nesse sentido Maya é eternamente inseparável de Brahman, ligada a Ele da mesma forma como o calor está ligado ao fogo. Maya e Brahman unidos constituem Ishvara (Deus Pessoal), que cria, preserva e dissolve o Universo. Em outro sentido, como Ignorância ou Ilusão Cósmica, Maya se sobrepõe a Brahman, oculta a visão de Brahman, fazendo com que o homem perceba o universo manifestado ao invés da Realidade Única. Maya tem dois aspectos: avidya (ignorância) e vidya (conhecimento). Avidyamaya, que afasta o homem da realização de Brahman, limitando-o e ligando-o ao mundo, expressa-se pelas paixões e desejos. Vidyamaya, que conduz o homem à realização de Brahman, expressa-se como virtudes espirituais. Vidya e avidya são aspectos do Relativo (tempo, espaço e causalidade); o homem transcende vidya e avidya quando realiza Brahman, o Absoluto.
Moksha — Libertação dos laços do mundo, ou seja, libertação final do karma e da reencarnação, por meio da união com Deus ou do conhecimento da Realidade Última. Moksha é o mais elevado dos quatro frutos ou objetivos da vida humana: dharma (moralidade, dever religioso), artha (segurança financeira), kama (satisfação dos desejos legítimos) e moksha.
Mridanga — Instrumento de percussão composto por dois tambores que são tocados simultaneamente; usado nas músicas devocionais.
Mrinmoyi — Um dos nomes da Mãe Divina.
Nahabat — Pavilhão para música
Namo Narayanayah — Saudação a Deus.
Nanak, Guru (1469-1538) — Fundador do sikhismo, foi o primeiro dos dez gurus dessa religião da Índia. Seus ensinamentos sobre a unidade de Deus, a fraternidade entre os homens, sobre a fé e o amor atraiu igualmente hindus e muçulmanos.
Nangta — Literalmente “desnudo”. O nome pelo qual Sri Ramakrishna se referia a seu guru espiritual Tota Puri (ver).
Narada — Grande sábio e devoto de Deus na mitologia hindu, mencionado no Rig Veda e nos Puranas. Atribuem-lhe os Bhakti Sutras, que ensinam o caminho do amor.
Narayana — Literalmente, “aquele que se move sobre as águas”; um dos nomes de Vishnu.
Natmandir — Construção espaçosa, com o teto sustentado por colunas, o natmandir situa-se diante de um templo e é usado para música devocional, reuniões religiosas etc.
Neti, neti — Literalmente, “isto não, isto não”. O processo negativo de discriminação, adotado pelos seguidores da Vedanta não-dualista (advaita).
Nidhu Babu — Compositor de melodias suaves.
Nikasha — A mãe de Ravana.
Nirguna — Literalmente, sem atributos. Diz-se Nirguna Brahman para designar o Absoluto Incondicionado, Brahman sem atributos.
Nirvana — Estado de iluminação espiritual, caracterizado pela extinção ou absorção do indivíduo e do ego efêmero em Brahman (que no budismo é chamado “Não-Causado” e “Não-Condicionado”). O nirvana liberta o homem do ciclo de nascimento, sofrimento, morte e todas as outras formas de ligações com o mundo. Trata-se da consciência transcendental suprema — chamada Brahma-nirvana no Bhagavad Gita, turiya nos Upanishads, nirvana no budismo, nirbija samadhi na Yoga, e nirvikalpa samadhi na Vedanta.
Nirvikalpa samadhi — O mais alto estado do samadhi, no qual o aspirante realiza sua total unidade com Brahman.
Nitai — Abreviatura do nome de Nityananda. (Ver Nityananda Goswami).
Nitya — O Absoluto em contraposição a Lila, o Relativo.
Nitya Kali — A Eterna. Um dos nomes de Kali.
Nityananda Goswami — Nome do bem-amado discípulo e companheiro de Sri Chaitanya. Literalmente, Nityananda significa “eterna bem-aventurança”.
Nuchi — Ver Luchi: na pronúncia interiorana de Sri Ramakrishna o l e o n são intercambiáveis.
OM ou AUM — A palavra mais sagrada dos Vedas. O pranava ou OM, símbolo universalmente aceito do hinduísmo, é reverenciado e usado por todos os grupos, seitas e cultos na Índia. Foi adotado até mesmo pelo jainismo, o budismo e o sikhismo. Trata-se de um símbolo não só visual como também auditivo para Brahman, o Absoluto segundo a filosofia hindu e Deus na religião hindu. Literalmente, a palavra pranava significa “aquilo pelo qual Deus é efetivamente louvado”. Também significa “aquilo que é sempre novo”. A palavra “AUM” é derivada da raiz sânscrita “ava” que possui dezenove sentidos diferentes. Disso se pode concluir que OM representa aquele Poder que (1) é onisciente; (2) rege o Universo inteiro; (3) protege-nos dos males da vida; (4) satisfaz os caros desejos de seus devotos e (5) destrói a ignorância e dá a iluminação. Na verdade, o OM comporta três letras independentes — a, u e m —, cada qual com seu próprio significado. A letra a representa o “início” (adimatva); o u representa o “progresso” (utkarsha); o m representa o “limite” ou a “dissolução” (miti). Portanto, a palavra OM representa aquele Poder responsável pela criação, desenvolvimento e dissolução do Universo, isto é, o próprio Deus. Swami Vivekananda deu uma explicação bem simples, mas muito interessante e instrutiva, sobre as três letras que constituem o OM, enfatizando o caráter único desse grande símbolo: “A primeira letra, o a, é o som-raiz, a chave, pronunciada sem que se toque nenhuma parte da língua ou do palato; o m representa o último som da série, sendo pronunciado com os lábios fechados; e o u vai de uma extremidade à outra da cavidade bucal. Dessa forma, o OM representa a totalidade do fenômeno da produção do som e como tal deve ser o símbolo natural, a matriz de todos os diferentes sons. Ele representa toda a cadeia sonora e o potencial de criação de todas as palavras.”

 

 

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